O hiperadrenocorticismo ou síndrome de Cushing, é a doença endócrina mais diagnosticada nos cães, mas é uma alteração pouco comum em gatos, sendo que existem poucos casos descritos na espécie.

Nos cães, é comum em animais de meia-idade a idosos, com média de  9 e 11 anos de idade. Porém, pode acometer cães a partir dos seis anos. Já o hiperadrenocorticismo em gatos ocorre por volta dos dez anos.

Nos gatos, parece não haver predileção racial, e alguns autores afirmam que ocorre mais nas fêmeas do que nos machos. Nos cães, afeta mais as fêmeas e é mais comumente observado nas raças Poodle, Yorkshire, Beagle, Spitz, Labrador, Pastor alemão, Boxer e Dachshund.

Na década de 30, o médico norte-americano Harvey Cushing descreveu uma síndrome em seres humanos causada pela exposição crônica a concentrações excessivas de cortisol, que recebeu o nome de Síndrome de Cushing.

Funções do cortisol

O cortisol é um hormônio esteroide produzido pelas glândulas adrenais. Em condições normais, controla o estresse, é um anti-inflamatório natural, contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico e mantém a glicemia e a pressão arterial em níveis normais.

As causas da enfermidade podem ser divididas em duas: a iatrogênica, que é secundária à administração a longo prazo de medicamentos com corticoide, e a que ocorre de forma espontânea.

Hiperadrenocorticismo iatrogênico

Os medicamentos que contêm corticoides são usados na medicina veterinária como antialérgico, anti-inflamatório e imunossupressor. Quando administrados sem critério ou sem acompanhamento veterinário, podem induzir a enfermidade nos animais.

Como resultado, o animal apresenta a doença clínica característica do hiperadrenocorticismo, mas com concentrações de cortisol consistentes com uma hipofunção das adrenais, ou seja, diminuição da sua atividade produtora do hormônio.

O diagnóstico da forma iatrogênica da doença é muito mais frequente no cão do que no gato. Essa espécie é considerada menos suscetível aos efeitos induzidos pelo cortisol exógeno dos medicamentos.

Hiperadrenocorticismo primário

O hiperadrenocorticismo primário é também chamado de ACTH dependente. É a causa mais comum nos cães idosos, com média de 85% dos animais diagnosticados com a síndrome.

A hipófise é uma glândula que produz um hormônio chamado ACTH (Hormônio Adrenocorticotrófico). Essa substância estimula uma determinada região das adrenais, as duas glândulas responsáveis pela produção do cortisol dentro do corpo dos animais.

Quando ocorre algum problema com a hipófise, geralmente tumores, há produção em excesso do ACTH, que hiperestimula as adrenais. Então, ocorre excesso de cortisol no organismo do animal.

Nesse caso, além da presença do tumor na hipófise, o paciente também demonstrará uma hipertrofia de ambas as glândulas adrenais, esta última alteração sendo possível de ser visualizada em ultrassonografia abdominal.

Cachorro deitado na grama

Hiperadrenocorticismo secundário

O hiperadrenocorticismo secundário ocorre em apenas 15% dos casos e, geralmente, é causado por tumores em uma das adrenais. Na maioria das vezes, esses tumores benignos e autônomos começam a produzir quantidades excessivas de cortisol.

Com isso, ocorre feedback negativo na hipófise, portanto, a secreção do hormônio  ACTH diminui. O tumor faz a glândula afetada produzir muito cortisol, o que faz com que a adrenal oposta fique menor ou até mesmo atrofiada. Essa diferença no tamanho das glândulas auxilia no diagnóstico da causa da doença.

Sintomas do hiperadrenocorticismo

O cortisol é responsável por diversas funções no organismo dos animais, por isso, a Síndrome de Cushing tem sintomas variados e inicialmente inespecíficos, que podem confundir o tutor.

Os sintomas são mais evidentes no cão do que no gato, o que geralmente atrasa o diagnóstico na espécie, que tem, em média, 12 meses de evolução antes do reconhecimento da doença.

No começo, ocorre aumento da produção de urina e aumento da ingestão de água, que é secundário ao aumento da urina, pois isso faz com que o animal perca muita água pelo xixi. Como é algo discreto, o tutor não percebe.

O cortisol inibe a insulina, então, o animal sente muita fome, pois o corpo do animal “sente” que não há glicose entrando na célula. Com o tempo, o fígado aumenta de tamanho pela deposição de gordura no órgão.

A musculatura fica enfraquecida; a pelagem, opaca e rala. A pele perde a elasticidade e fica mais fina e desidratada. Os vasos sanguíneos da pele ficam mais evidentes, principalmente no abdômen.

Um sintoma muito característico da Síndrome de Cushing é o aumento do abdômen por deposição de gordura e pelo aumento do fígado. Juntando isso ao enfraquecimento muscular, a barriga fica abaulada e distendida.

Tratamento da Síndrome de Cushing

Saber o que está causando o hiperadrenocorticismo em cães e gatos faz diferença na forma de tratamento da enfermidade. Se a causa for um tumor na adrenal, a cirurgia para retirada desse é o tratamento de eleição da doença.

O tratamento medicamentoso da Síndrome de Cushing deve ser feito pelo resto de sua vida, por isso, é importante haver o acompanhamento rotineiro do animal pelo médico veterinário.

O objetivo do tratamento é o retorno do animal ao seu estado endócrino normal, mas isso nem sempre é possível. Por isso, o tutor deve confiar no profissional e entender que excessos ou deficiências hormonais podem decorrer do tratamento.

O não tratamento da Síndrome de Cushing pode provocar doenças cardíacas, de pele, nos rins, no fígado, articulares, aumento da pressão arterial sistêmica, diabetes mellitus, maior risco de tromboembolismo e óbito do animal.

Cachorro deitado no sofá.

Identificou algum dos sintomas do hiperadrenocorticismo em seu amigo? Então, traga-o para uma consulta no Hospital Veterinário Seres com nossos veterinários especialistas em endocrinologia!