O hiperadrenocorticismo é uma das endocrinopatias mais comuns em cães de meia idade a idosos, mas é rara em outros pets. É caracterizado pela elevação crônica do hormônio cortisol. 

Cães afetados desenvolvem um espectro de distúrbios funcionais e lesões consequentes em muitos sistemas orgânicos. A doença tem caráter crônico, e apresenta evolução progressiva. 

O que é hiperadrenocorticismo (HAC)?

A elevação dos níveis de cortisol circulante pode resultar de alterações originadas na glândula hipófise ou nas glândulas adrenais, sendo na maioria dos casos principalmente pela presença de um tumor na glândula hipófise. Este tipo de tumor costuma ser benigno, mas leva ao aumento da produção do cortisol.

Esse hormônio garante nossas reações fisiológicas em situações de estresse, ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue e a pressão arterial regulados, além de modular as respostas inflamatórias. 

Mais frequente em cães, o hiperadrenocorticismo ocasiona uma série de alterações clínicas e laboratoriais. As raças de pequeno porte têm mais predisposição, e dentre essas podemos citar:

  • yorkshire
  • poodle
  • dachshund
  • schnauzer
  • spitz

Como identificar o hiperadrenocorticismo?

Se o seu cão ainda for filhote, não se preocupe, os cuidados são outros. Somente após os 6 anos devemos ficar atentos, pois é a partir dessa idade que a doença se torna mais comum nos cachorros dessas raças.

 Muitos dos sinais e das lesões causadas pelo hiperadrenocorticismo em cães podem ser induzidos pela administração diária, prolongada e excessiva de corticosteroides para tratar outras doenças. 

Os sinais clínicos da síndrome de Cushing ou hiperadrenocorticismo canino são vários, mas bem característicos. Aquele cão adulto ou idoso com muita fome, preguiça, e com problemas de pele recorrentes, pode ser um possível portador da doença.

Cachorro deitado na grama

No hiperadrenocorticismo em cães, os sintomas principais são:

  • aumento de apetite (polifagia), aumento da sede (polidipsia) e aumento do volume urinário (poliúria); 
  • ganho de peso;
  • distensão abdominal (aumento da circunferência abdominal, aparência de barriga d’água);
  • cansaço excessivo, ofegação, longos períodos de sono;
  • atrofia muscular e frouxidão de ligamentos, com predisposição a lesões ortopédicas;
  • alterações dermatológicas, como rarefação do pelame ou áreas sem pelo (alopecia), pele adelgaçada (com aparência fina como papel), ressecada e com visualização de vasos;
  • infecções oportunistas associadas à imunossupressão, como infecções de pele, infecção urinaria etc;
  • aumento dos níveis de glicemia, podendo levar ao diabetes mellitus;
  • hipertensão arterial sistêmica

Ao perceber alguns desses sintomas no seu pet, leve-o ao veterinário da sua confiança, pois há a possibilidade de ser hiperadrenocorticismo ou outras doenças a serem investigadas com muita atenção.

Quais são os tipos de hiperadrenocorticismo?

Existem duas formas comuns de hiperadrenocorticismo:

  • hipófise-dependente (ACTH-dependente): forma mais comum, resulta da presença de um tumor na glândula hipófise, que se torna responsável pela produção excessiva do hormônio que estimula a produção do cortisol. 
  • adrenal-dependente (ACTH-independente): acontece quando se desenvolve um tumor em uma ou, mais raramente, em ambas as glândulas adrenais, e este tumor produz cortisol em excesso.  

A importância do diagnóstico precoce

O mais importante é o tutor do cãozinho se lembrar de que esta doença costuma ter início lento e progressivo. Ela afeta preferencialmente animais de meia idade a idosos.

Por isso, não é raro que muitos tutores notem as alterações clínicas do hiperadrenocorticismo em seus cães, mas acreditem que elas façam parte do processo natural de envelhecimento do cão.

Sem tratamento, a Síndrome de Cushing pode levar a acidentes vasculares que resultam em déficits neurológicos ou falência renal, por exemplo. Também causa fraqueza muscular extrema, que impede a movimentação, e pode levar ao tromboembolismo, com morte súbita. Portanto, mais uma vez: a melhor solução é o diagnóstico precoce!

Suspeita de algum probleminha na saúde do seu melhor amigo? Não perca tempo, pois há chance de aparecerem complicações do hiperadrenocorticismo em cães. Então, procure o médico-veterinário.

Exames laboratoriais são de extrema importância, como exames de sangue, urina e ultrassom. Ainda assim, o teste mais direto e sensível para diagnosticar e elucidar a patogenia é a mensuração dos níveis de cortisol plasmático.

Como é feito o tratamento

Como é feito o tratamento hiperadrenocorticismo em cães? Com o diagnóstico de hiperadrenocorticismo confirmado por laboratório, os cãezinhos podem ser tratados de forma cirúrgica e medicamentosa, todas com o objetivo de reduzir a concentração de cortisol circulante no organismo.

Com a cirurgia, a ideia é retirar a glândula doente e curar a doença. Quando se trata do tumor em uma das adrenais, o procedimento já é rotineiro no Brasil. No entanto, a técnica ainda não tem sido praticada por aqui quando o tumor é na hipófise.

cachorro cor caramelo

Já os remédios têm basicamente duas formas de ação: bloquear a cascata hormonal de formação do cortisol, ou destruir as adrenais. Os dois têm prós e contras, considerando os riscos, o estado geral do paciente e a rotina da família.